Quando comecei meus artigos
aqui nesta coluna, e até mesmo ao idealizar a ideia de sua criação em minha
mente, já sabia muito bem das consequências de expor minhas opiniões na internet.
Coisa que já estou acostumada, sendo, em minha vida privada, uma fervorosa
ativista das minhas ideias. Portanto, não é para choramingar pelos comentários
e "ataques" que recebi que decidi escrever este artigo, mas para tentar
entender o porquê eles ocorreram.
Como disse acima, não
me considero "perseguida" ou "censurada", não, apenas aconteceu
que muitas pessoas resolveram mostrar sua indignação ou desgosto com as coisas
que eu disse. Mas o que DE FATO eu disse? Que suas obras eram ruins. O que vocês
dizem, caros leitores, de uma narrativa em que, em uma história dos anos 70, em
uma cena, meninas pegam seus celulares de última geração e postam fotos no Instagram?
Ou uma personagem que após atropelar uma criança, sai do carro para admirar as estrelas?
Agora, é claro que isso não é nem um pouco gostoso de ouvir, o problema, é que
o que obtive como resposta não foi uma defesa da obra, explicando-me o quanto
estava errada em meu julgamento, mas sentenças como: "a autora é minha
amiga", " Ninguém é obrigada a ser um ótimo escritor", "Você
não sabe o quanto ele se esforçou", "você só fala dos pontos
ruins"... Ah, e não podia faltar, né! "Você é muito invejosa!".
Diante disto, foi então
que percebi algo: eles sabem muito bem que a história é ruim, mas o crime está
em simplesmente dizer isso! Reparem, eu não difamei a escritora, sua família, seu
cachorro, muito menos falei de seus outros trabalhos, apenas da novela em
específico, seus erros e qualidades. Eles afirmam que, assim, eu estaria os desestimulando
a escrever. Ora, não é minha responsabilidade o modo como as pessoas reagem ao
que falo, tão somente o que digo. Vocês sabem quantos "não!" Stephen
King, o mestre da literatura do horrror, recebeu? E vocês acham que ele
desistiu? Muito pelo contrário, ele escreveu todos esses nãos em sua sala de
escrita e olhava para eles todos os dias para que isso o desse forças, rotineiramente
obrigando-se a escrever 2000 palavras por dia.
Isso é porque, para um
verdadeiro artista, a crítica nunca é inimiga, mas um guia, que mostra o caminho
que deve andar, e quando está desviando-se dele. Acontece que, o que esses
adolescentes querem é viver dentro de uma caixa em que, possam aparecer e
receber visualizações para alimentar seu ego, sem nunca importarem-se com
qualidade ou em dar algo bom para o público e sem jamais ouvir uma palavra
contrária. Acreditam que a crítica é um empecilho, porque sua vontade não é crescer,
evoluir e se tornar um grande autor, mas receber o máximo de elogios e atenção
que necessitam.
Mas, há sim, aqueles
que querem ser profissionais, porém ainda tem tido dificuldade de entender o
papel do negativo em suas vidas. Acreditam que somente frases boas são as que motivam,
um ledo engano. Você já viu um: "você é ótimo", levantar alguém? Com
certeza sim! Mas você já viu um: "você é perfeito!", MUDAR alguém? Não,
não é mesmo? E isso é devido a um fato simples. O que é bom, o que já é incrível,
não precisa ser modificado. As sentenças negativas, as ditas com uma boa intenção
pelo menos, são feitas para aqueles momentos em precisamos sair daquela rota ou
iremos bater. São ditas bruscamente e em alto e bom som, mas são as únicas
capazes de nos despertar para a realidade. Pois, que outra explicação há para estarmos
indo em uma trilha sem saída do que estarmos cegos? Sendo assim, a crítica faz-se
a luz necessária para iluminar o caminho de volta.
E alguns podem dizer, "sim,
concordo que devemos aceitar as críticas, no entanto, elas precisam ser tão
agressivas?". E agora, chegamos em um ponto delicado, pois somos
indivíduos diferentes, portanto, o que muitos considerariam agressivo ou forte,
pode não ser o mesmo para você por exemplo. Confesso que muitas vezes meu tom
irônico e satírico pode chocar alguns, mas tratando-se de uma coluna cômica, é
este precisamente o tom que pretendo adotar. Minha única preocupação é em nunca
me dirigir diretamente ao autor. Creio ter feito isto apenas uma vez, penso que
na análise de Mil e Uma Luas, e me arrependo. Como vocês, meu trabalho também
está sujeito a críticas e sugestões, e não sou perfeita. Mas a respeito do modo
como falo, é despojado e leve, buscando sempre o humor e o que me diferencia no
que faço, portanto, não irá mudar. Tenho minha consciência limpa de que não estou
querendo ferir qualquer pessoa.
Ao final, temos dois
caminhos a escolher: ficar dentro da caixa em que ninguém nunca dirá nada mal
ou contrário ao que pensamos, ou saímos para fora e encaramos a vida como ela é. O
desafio do último é grande! Está em enfrentar não somente pessoas que pensam
diferente de nós, mas em mergulhar em si, dando de cara com nossos defeitos,
inseguranças e medos e fazer o movimento para longe da zona de conforto e mudarmos.
A caixa parece bem mais confortável, mas ao nos distanciarmos, vemos que ela
fica cada vez mais pequena. Porque é disso que ela se trata. De um mundo
pequeno, de uma mente pequena, por onde não entra nada e onde nada acontece e tudo
está sempre igual por toda a eternidade. Ao invés, escolhamos vir para fora.
Afinal, todos terminaremos em uma caixa um dia, não há razão para começar
agora.

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- Notas
1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2. Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.

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