Erika G.

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OI, SOU Erika G. /

ESCREVO, CRITICO WEBS E SAIO DANDO MINHA OPINIÃO POR AÍ.

 


Se tem algo que todo brasileiro lembra era o que estava fazendo no dia 8 de julho de 2014, o dia da terrível e avassaladora goleada que sofremos da Alemanha. Perdermos em nosso próprio solo e da maneira mais categórica: 7 vezes a bola entrou sem que pudéssemos fazer nada, apenas assistir, impotentes. Eu não via o jogo, trancada em meu quarto, mas posso dizer que meu coração murchava a cada grito de gol vindo da tv da sala. Meu pai, agoniado, desligou o aparelho, única ação que estava a seu alcance, mas não efetiva para combater o ocorrido. Mas teve uma pessoa que continuou assistindo a tudo até o fim: minha irmã. Perguntei a ela depois como ela pôde aguentar ver aquilo?


Ela sempre amou esporte, desde pequena gostava de acompanhar os jogos, acordava de madrugada para assistir as partidas; Nunca me esquecerei da final do jogo de vôlei, em que o time feminino perdeu por muito pouco e pude ver nela a frustração dolorosa achando que ela desistiria de torcer, mas no ano seguinte lá estava ela novamente. E então ela me disse algo que nunca esqueci: pra ter alegria na vitória é preciso acompanhar as derrotas.


Hoje estamos em copa, mas é perceptível que o brasileiro que pintava as ruas, alçava bandeiras nas janelas e gritava pelo hexa tem diminuindo com o tempo; E há um outro fenômeno curioso: os daqueles que torcem contra o país. Eles chegam até mesmo a vestir a camisa de uma seleção adversária. Algo realmente incompreensível e revoltante aos primeiros olhos mas que revela o sintoma de um problema muito maior.

Pois apesar do que aparece nas propagandas verde e amarelas, dos slogans governamentais, o povo brasileiro está longe de estar feliz e desde 2013 com as constantes manifestações, impeachment e reeleições, não temos tido melhoras. Continuamos a pagar metade do produtos somente em impostos, a qualidade da educação e saúde continua a cair e a criminalidade alta.


E isso nos leva para importância do futebol para a nossa narrativa nacional; Uma narrativa nada mais é que a história que contamos para o mundo e para nós sobre nós mesmos, ela nos fala de nossos princípios, valores e conquistas como um povo. Mas no caso do Brasil ela sempre foi muito confusa, não temos uma ode às conquistas dos desbravadores como é o “Os Lusíadas” de Portugal ou uma tradição de revolução cultural como a Itália; Somos um país colonizado, mistura de povos indígenas, colonização e vinda de povos estrangeiros. Claro que há conquistas, mas dispersas, nenhuma delas nos determina, nos diz, “nós fizemos isso”, “nós somos isso”. Quando perguntado sobre o que é o Brasil provavelmente irão dizer “Carnaval”, “caipirinha”, “cristo redentor”, reparem, são coisas, eventos, não possuem o caráter de uma integração do país. Mas não quando se trata do futebol.

Somos o país pentacampeão, temos o maior número de taças de um campeonato mundial, distintos e admirados pelo mundo por algo conquistado em conjunto. Sendo assim, é de se espantar que voltaríamos nossos sentimentos para o único setor em que não somente ganhávamos como éramos ídolos mundiais? O futebol não é somente um campeonato, é nossa ilíada.


    
O brasileiro pode não saber a história dos presidentes, mas sabe a escalação de 58, por isso a pressão da seleção é como a de nenhum outro país enfrentou, pois ela carrega o peso de sustentar talvez a única forma de alegria e orgulho que o brasileiro sente em sua nacionalidade. E agora que o vemos sendo também tirado de nós preferimos não torcer ou vestirmos a camisa de uma outra nação por medo de apostar em algo que nos desapontará.

Esta é a verdadeira tragédia. Não é perder no futebol, é depender de sua vitória.

Mas, seria justo este sentimento? Claro que não podemos negar os problemas enfrentados pela nação, mas se olharmos para situações que outros países enfrentam como cerceamento de direitos básicos, miséria extrema, guerra, imigração em massa, economia em declínio, vemos que toda nação passa ou passou por momentos de intensa crise e instabilidade, veja a situação da Alemanha após a primeira guerra mundial, como se encontrava a Coreia do sul depois de anos de invasão japonesa, mas estes infortúnios não as fizeram perder a crença em si. Da mesma forma como já houve o tempo em que o Brasil era referência de país próspero e o local em que muitos buscaram seu abrigo.

Foi então que finalmente entendi o que minha irmã tinha entendido há muito tempo: todas as nações que um dia se levantaram das crises tiveram um dia que assistir a derrocata de seus países, com a autoestima destruída tiveram que reconstruir os escombros, criar caminhos onde já não havia mais nada. E isso só foi possível porque um dia admitiram que tinham perdido.

Mas ao contrário delas, a nação brasileira, seja por sentir-se impotente ou impossibilitada de levantar-se contra problemas estruturais e tão complexos, refugiou-se no futebol. É por isso que o 7x1 foi tão traumático, por isso que levanta calafrios em todos os que o mencionam até hoje, porque estampa um sentimento que procuramos por tanto tempo ignorar.

Diante disso, depois de 8 anos enfim encarei meu medo e neste domingo assisti ao jogo Brasil vs Noruega, sem indiferença, mas torcendo, acreditando e vi os jogadores ajoelhados em campo, chorando. Mas eu já tinha aprendido a lição e ao contrário do sentimento de tristeza que pensei que teria vi no lugar esperança. Agora, pela primeira vez em anos, o refúgio que buscamos para nos sentirmos vitoriosos se desmontou e podemos ver a realidade crua, encarar o que muitas nações viram.
O que faremos a partir disso é o que nos definirá. 



Notas 

1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.









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Mas o que mais me chamou a atenção em todas as análises, ironicamente deixado de lado por todos os que falaram sobre o assunto, mas que pra mim indica um ponto extremamente visceral para a causa do problema é o elemento de infantilidade que pude perceber na maioria das histórias: assim que se apaixona pelo mocinho/vilão a mulher, antes independente, que vivia sua própria vida, passa a viver exclusivamente para o homem, sem desejos ou decisões próprias, em troca ela é cercada de amor, luxo e proteção. Esse é o caminho final e objetivo de todas essas histórias.

Imagine isso, uma adolescente incerta sobre sua aparência, amedrontada pelo mundo que se mostra tão grande e competitivo encontra um homem forte e intenso que a ama acima de tudo e está disposto a morrer, a matar por ela e a lhe dar o melhor prazer que já imaginou. Ou a mulher cansada, chegando do trabalho para descontar o estresse e frustrações na comida junk e naquele livro romântico que a permite experienciar a estabilidade financeira e emocional. Ao fim de tudo, o diagnóstico problemático dessa situação é este: A geração de mulheres nunca antes tão empoderada, está correndo para debaixo da cama das fantasias para escapar da vida adulta.




Isso porque nunca antes esteve mais cansada e ansiosa. Temos medo. Medo de não termos sucesso, medo de termos sucesso mas não o sucesso perfeito, o sucesso das Vírginias, da felicidade feita sob medida, o marido perfeito, os filhos, a casa; Algo está sempre faltando, trabalhamos mas não temos “aquela barriga”, ele é bom mas não é “o namorado dos sonhos”, disputamos com miragens, com filtros, correndo atrás de produtos em um consumismo desenfreado, se eu tiver aquela cortinas, aquele body splash... Atrás de procedimentos estéticos, angustiadas com a ação do tempo que já ameaça as rugas, a determinação do seu fracasso como mulher!

O apelo é irresistível, mergulhar em um mundo em que somos tudo, ao menos para um homem, mesmo com nossas rugas, nossas estrias e cansaço. Um mundo em que não precisamos correr para alcançar, pois seremos alcançadas e tudo o que precisamos fazer é vencer os obstáculos com nosso amor maternal para recebermos a presente da auto validação enterna!


Assim, fica claro, enquanto não entendermos o que se passa em nossa geração, críticas, discursos sob abuso não irão curar o problema, precisamos consertar o que está quebrado, buscar em nós mesmas a resposta para nossa insatisfação.


A princesa que antes vivia na torre viu que o caminho é demais pedregoso e voltou para esperar pelo príncipe.





Notas 

1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2. Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.

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Mas, além de fomentar conceitos noscivos, o Dark romance pode levar ao vício. Não é novidade que a pornografia causa a dependência, isso devido a um hormônio poderoso de recompensa; Quando o jovem acessa esse tipo de conteúdo, uma escalada de dopamina é atingida, fazendo com que ele queira acessar novamente, mas com o tempo, os níveis se regulam e para alcançar o mesmo efeito é preciso procurar algo mais intenso. A pornografia gore, de sexo extremo, com mulheres sendo estranguladas ou abusadas a ponto de sangrar se popularizou com os anos e estudos apontam a relação do vício com mudanças drásticas na sexualidade. Uma pesquisa feita na Inglaterra demonstrou que quase metade das jovens entrevistadas esperavam receber algum tipo de agressão durante a relação e a maioria dos homens acreditavam que a mulheres gostavam disto. Conteúdos de orgias, BDSM e até pornografia infantil também são apontados como consequência desta escalada, quanto tempo demorará para que as fantasias se tornem reais é o que nos perguntamos.



Como o menino de 13 anos da geração 2000 que teve seu primeiro contato com o sexo naquele vídeo X, hoje a menina de 12 anos está lendo descrições gráficas de cenas de abuso sexual, estrangulamento e violência física. Isso gerará todo o tipo de disfunções, chegando até mesmo no conhecido apagão sexual, mostrando desinteresse pelo sexo real e verdadeira intimidade.

Mas o que estaria levando tantas mulheres a consumirem o dark romance? E a resposta é complexa. Alguns apontam para o elemento da exploração sexual sem restrições, afinal, fomos um gênero reprimido sexualmente por séculos, e é conhecido que mulheres preferem a leitura a videos. No entanto, embora o sexo seja um atrativo, é somente ler essas histórias para perceber que nenhuma delas se trata de práticas de sexo diversas, a maioria está num contexto hétero, monogâmico e tradicional. O que as diferencia é o contexto em que a mocinha se vê cativa: ameaçada por uma arma, amarrada, drogada... O mesmo demonstra a preferência do gênero em sites pornôs: em comparação com os homens elas tendem a gostar de conteúdos misóginos e agressivos. Isso prova que o fascínio não está na exploração e sim na dinâmica de poder.

Em uma universidade dos Estados Unidos, pesquisadores queriam descobrir como mulheres reagiam a fantasias de estupro, em entrevistas com mais de 355 estudantes femininas, a descoberta foi surpreendente: mais de 62% fantasiavam sobre serem violadas. Falei sobre isso em meu artigo “porque elas preferem o lobo mau?”, ao contrário do homem, que se valida pelo o que possui a mulher se valida por ser desejada; agora, imaginem, quanto poder não há em ser tão irresistível a ponto de levar um homem a cometer atos criminosos só para te ter com ele?



Ao mesmo tempo, o perpetuador usa força e liderança para subjugá-la, algo extremamente sedutor para a mulher; Apesar de batê-la, a agressão parece servir mais para demonstrar o poder do homem do que machucar a protagonista algo como se, quanto mais ele batesse mais admiração ela sentisse, durante o ato, ele consegue convencê-la pela performance, a conquistando e ela tem sua gratificação sexual.



E o que te lembra esse cenário? Uma princesa aprisionada que somente conseguirá escapar conquistando o coração do príncipe transformado em monstro? O arquétipo da fera sempre teve seu apelo com o gênero feminino, seja por motivos evolutivos ou outra razão, nós sempre buscaremos pela parceiro com potencial agressivo, pois julgamos que ele será capaz de nos defender, mas essa agressividade, é claro precisa ser usada no momento certo, ela precisa ser domada. E novamente a questão do poder entra em cena, pois a única capaz de domar aquele homem e provocar sua mudança é a garota especial. Ele é extremamente forte, incontrolável, poderoso, mas é somente ela sorrir pra ele e ele é dócil como um cordeirinho. É óbvio que o sexo explícito e violência exacerbada estão longe da versão do conto de fadas, mas coloque na mistura uma geração infiuenciada pelo feminismo libertário e pela banalização da pornografia e temos uma bela e a fera +18 sob efeito de esteróides!

VÁ PARA A PARTE FINAL...


Notas 

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Há um tempo atrás, escrevi a respeito dos “romances HOT”, um gênero de histórias de amor que exploram o lado sexual explicitamente mas que estava tornando o sexo o protagonista e tema principal do enredo, caso o último acontecesse de existir, porém, apesar de crítica, minha análise mostrou somente o impacto que isso causaria para o mercado literário; Da parte do leitor, deixei-o em paz para curtir suas fantasias. Passado esse tempo, eis que me deparo com um video do canal “GABRITA OFF” (recomendo muito!), que me mostrou uma nova realidade: a de que os romances HOT criaram um filho, ainda mais preocupante e avassalador, os “DARK ROMANCES”.

Uma pesquisa rápida no whatpadd irá mostrar a imensa quantidade das histórias assim nomeadas, mas o que mais me chamou a atenção ao lado das capas de homens musculosos com máscaras de serial killers foram as sinopses: na mais lida, uma moça tem sua casa invadida por um maníaco encapuzado, outra é raptada por um mafioso, outra é entregue em casamento para um assassino, enredos que parecem vir direto de um filme de terror. As cenas não são menos chocantes:



Em uma das histórias, a moça recém casada é deixada em um porão sem comida ou água por dias e recebe abusos físicos e humilhações seguidas. Em todas os contos elas são estupradas, abusadas e privadas de sua liberdade. Um fato, no entanto, será o mais chocante: o perpetuador, agressor e agente por trás de tudo é o mocinho da história. Acontece que todas estas sinopses tratam-se de histórias de amor.
 



Como em uma inversão digna de BLACK MIRROR, a princesa apaixona-se pelo vilão.

É claro que explorar temas tão polêmicos iria colocar o gênero na mira de críticas; Muitos afirmam que o mesmo é noscivo aos leitores pois está glorificando os comportamentos que apresenta e influenciando-os a os aceitarem como normalidade, ao que os fãs rebatem, afinal, as mídias sempre mostraram cenas de violência em filmes blockbuster, em jogos eletrônicos, etc, assim, o leitor saberia utilizar seu senso crítico para separar a fantasia da realidade. A escritora Caroline Fawley, autora de diversos romances do gênero, avisa no início de suas obras sobre o conteúdo de suas histórias com vários disclaimers sobre a idade indicada. Segundo ela, os livros dark apenas são criticados por ter conteúdo sexual explícito o que seria ainda um tabu em nossa sociedade.


Sim, o cinema está repleto de exemplos de violência e extremismo, no entanto o erotismo também não é novidade, afinal a literatura erótica existe, tanto quanto cenas de sexo em filmes diversos, o problema, ao meu ver, não está em descrever cenas assim, mas na distorção do seu significado, isso ocorre quando pegamos um objeto ou ação e mudamos o que ele representa para as pessoas. Um exemplo prático disso são as conhecidas seitas, comunidades que fazem com que seus membros ajam de forma muitas vezes agressiva e perigosa até para si mesmos. E como conseguem isso? Revertando o significado do que antes era conhecido por eles. A famosa seita NXIVM da atriz de SMALVILLE iniciou como um grupo para mentoria profissional e ao fim de seu escândalo mulheres estavam sendo estupradas e marcadas na pele como gado; Anos de gravação de palestras e discursos do mentor foram revelados: entre falas aparentemente inocentes ele descontruía o significado do estupro, pois ensinava que tudo o que acontecia de ruim para nós era porque interpretávamos assim quando na verdade servir o corpo para o prazer de alguém era um ato de altruismo.

Para o romance Dark, ser privada do direito de ir e vir não é opressão mas cuidado, afinal, o parceiro a valoriza tanto que não suporta que ninguém mais a queira e isso não é egoísmo mas um elogio a beleza da mulher. Essa mesma beleza, a culpada pelas atitudes do homem, se ela não fosse tão desejável ele não a sequestraria ou a abusaria, ao fim, a culpa é dela. A protagonista aceita seu destino, suportando todos os abusos, crendo que ao fim tudo ficará bem, e ao final, ambos, ela e o leitor são recompensados com um feliz desfecho.

É um processo lento, vagaroso que destrói e constrói conceitos novos na mente e a pessoa sequer é capaz de perceber a mudança. Talvez, uma geração mais madura não tenha esse impacto mas o que dizer de meninas que acabaram de entrar na adolescência, fase em que estão construindo sua moral? Todas essas novas interpretações terão um impacto em como a jovem enxergará os relacionamentos ou buscará se sentir neles; Toda a emoção e adrenalina que sentia ao ler ela desejará que seja replicável na realidade. Quantas de nós não fomos impactadas com a visão romântica de novelas e filmes da disney do romance ideal, da metade da laranja? Provavelmente, essas crenças estão tão enraizadas em você que sequer percebe de onde vieram, mas um dia elas foram implementadas. Da mesma forma, estes romances ensinam jovens que o amor, ao invés de uma troca mútua de sentimentos, é ser desejado, e quão mais intenso o desejo do outro sobre você, mais desenfreado e sufocante, mais paixão ele demonstra.

VÁ PARA A PARTE 2...


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No refletor, um rosto belo passa seus olhos inquietos por cada traço, cada linha, - “Espelho, espelho meu, tem alguma mulher mais linda do que eu?”. Palavras tão ousadas que somente uma rainha de contos diria, afinal, nós, meras plebeias do mundo moderno nem em sonho poderíamos; Isso porque já sabemos na ponta da lingua quais são as mulheres mais atraentes que nós; As vemos em filmes, no instragram e digladiamos com elas sempre que nos olhamos no espelho, procurando a boca de uma, os olhos de outra...


Mas isso não vai muito longe; No trabalho, com aquela colega que parece que vive na academia; A outra que sempre tem tempo pra cuidar do cabelo. Como a uma linha de montagem, estamos sempre nos medindo, comparando e nos sentindo os seres mais desprezíveis por aqueles 3 cm a mais na cintura. Sim, nós não iremos adimitir, pois a insegurança é considerada um defeito também, assim, esconderemos esses sentimentos atrás de frases falsas de auto aceitação, quando por dentro, a beleza, as qualidades da outra nos atingem como um arpão, rebaixando nossa auto estima.

Da mesma forma, pior dos dias foi aquele em que o espelho deu a conhecer a madrasta a beleza de branca de neve, seu coração não pôde suportar e chamou então o caçador para dar fim a sua angústia. Sempre julgamos essa atitude como fruto de uma mente translouca, no entanto, quantas de nós nunca, mesmo que por um segundo, nos pegamos pensando que nos sentiríamos melhores se aquela modelo ou colega de trabalho não existisse?

                                              

Mas, afinal, porque a beleza do outro nos ameaça?

E muitos culpam o chamado “padrão de beleza”, Devido aos requisitos inalcançáveis propagados pelas plataformas e mídia. Porém, a questão nunca esteve em existir um ideal, em todas as eras e épocas houve um modelo de beleza vigente, mas sim, no significado que damos à ele. Diz o velho ditado que “a beleza reside no olhar de quem vê”. Mas a verdade por trás desta frase não é de que a beleza é relativa, mas que tudo o que sentimos em relação á ela e consequentemente sobre nós mesmos está, na verdade ligado ao olhar do outro.




Ao nascer, somos como um papel em branco: não temos noção de nossa função no mundo, do porquê estamos aqui e porque seríamos importantes; Quando somos recebidos com os olhares babosos de nossos pais então é o afeto deles que nos faz sentirmos seres amados e nos dá a sensação de pertencimento á esse mundo. Ao desenvolver da vida, o ser humano é confrontado com outros olhares que o dizem sobre sua competência, personalidade, atração física e seu papel em sociedade e tudo isso constrói a forma como nos enxergamos. Até que, com a maturação, chega o momento em que essa construção está completa: o indivíduo já possui suas próprias crenças e ideias e passa a se auto afirmar por si só.


O problema é que vivemos em uma sociedade em que este processo está cada vez mais extinto, pois fruto de famílias desestruturadas e sem amor, os indivíduos crescem carecendo desse sentido de importância. O que acontece é que entram em uma busca constante por validação para preencher uma auto estima nunca existente e é quando deparam-se com o mito da beleza: nas propagandas, clipes, filmes, pessoas bonitas esbanjam carisma, encantam o público e exercem fascinação e isso faz com que pensemos que a beleza traz a garantia da felicidade e apreciação.

                                     

Ouvimos desde sempre que às pessoas belas é dado o mundo; Mas, é fácil dizer isso olhando uma modelo, cujo o trabalho é vender sua imagem, no entanto, já ouviram falar de um engenheiro que foi empregado por ser bonito? Ou de uma atriz que ganhou o oscar por ser a mais boazuda de hollywood? Não. É claro que ser belo nessas ocasiões é um extra, e com certeza ajuda para destacar-se, mas ser bonito em si não o ajudará se o prédio desmoronar ou se sua atuação for mais canastrona que a da G-kay. Jade Picon que o diga! Logo o reconhecerão por quem é e toda a fachada cairá por terra.


Da mesma forma, dizem que a beleza conquista a sorte no amor, sim, a atração é o primeiro passo em um relacionamento, mas, com o tempo, é sua personalidade que irá emergir e se ela não for agradável nenhum casamento terá sucesso. É loucura para muitos pensar que Beyonce, Shakira e Gisele foram traídas, pois as pessoas acreditam que a beleza tem o poder de assegurar um matrimônio, porém, como toda paisagem que antes era de tirar o fôlego, é só tê-la como sua vista da sacada para enjoar-se, assim mesmo, o homem que se casa com a beleza logo se cansará dela e procurará uma melhor, enquanto que a mulher que se casa por ser bela, correrá a vida inteira para lutar contra sua extinção, desta vez, não com feitiços e maçãs, mas com botox e silicone.


A beleza, enfim nunca existiu para o benefício de quem a obtém além de oferecer apreciações passageiras que não lhe assegurarão nada verdadeiramente. Só resta dizer que a mulher mais bela do mundo morreu de depressão, sozinha em seu quarto. Ao passo que vemos tantas mulheres que não seriam consideradas as mais lindas tendo famílias bem sucedidas, conquistando altos postos na carreira e realizando-se. Você conhece uma e eu também.





Mas se esta é a realidade então porque ainda acreditamos que a mulher mais magra, de melhor pele e jovem é mais feliz do que nós? Porque aprendemos a idolatrar os itens da felicidade mas do que ela em si. Essa que vem com um caminho de auto aceitação e conhecimento foi trocada pela busca pelo corpo perfeito, o marido perfeito, a mansão. “Quando eu tiver aquele nariz”... “Se eu tivesse um homem assim, eu seria feliz”, dizemos. Colocamos a culpa de nossa infelicidade nas coisas que não possuímos ou somos quando o que anseamos está dentro de nós e é somente uma coisa: o poder de nos sentirmos bem conosco e encontrar sentido.

Mas assim como a madrasta, continuamos atravessando a floresta negra de nossas inseguranças em uma procura interminável, não por branca de neve, mas por nós mesmos, pelo anseio de nos sentirmos completos finalmente.


Enquanto não entendermos que a verdadeira beleza de branca de neve estava na sua bondade e carinho com 7 trabalhadores estranhos seremos para sempre como a madrasta que mesmo sendo a rainha daquele país, passava os dias procurando rugas em um espelho.




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Você já deve ter ouvido isso ou até mesmo falado. Nos comerciais, clipes de música e filmes a “magia do natal” exibe sua formosura com árvores brilhantes, mesas fartas de comida e a neve que cai em cima do xalé com a lareira decorada de meias vermelhas enquanto a família presenteia-se e um casal se beija embaixo do visgo, no entanto quando nos voltamos para a vida comum, nada poderia estar mais distante. No sentimos cansados, desanimados, hoje, cada vez mais, a data passou a ser mais uma entre outras. Pois então, o que aconteceu? Porque o natal não é mais como era antes?

Bem, o problema está em uma questão simples: o efeito sem a causa.

Quando pensamos em natal, do que nos lembramos? Além da decoração, comida e das festas existem alguns sentimentos que permeiam esse dia e o faz parecer tão especial. Afeto, bondade, generosidade, família... Mas você já parou pra pensar no porque sentimos isso? Afinal, se olharmos de forma prática, todo o feriado se trata apenas de uma janta farta com entrega de presentes. Porque montamos uma árvore em nossa sala? Ou comemos panetone? Exato, nem sequer sabemos a razão destes rituais, mas os realizamos mesmo assim.

Quando crianças, vivendo sobre a proteção de nossos pais, nossa visão de mundo é limitada à segurança e exploração da criatividade, um mundo à parte no qual tudo é positivo, um mundo de aventuras sem perigos; Todos os elementos deste dia, a comida e as luzes, enchem os olhos infantis, mas seu mundo já é devidamente colorido, o que faz com que o natal se torne a celebração da beleza que já enxergam na vida. Mas, crescemos e acabamos por perceber que a realidade é bem diferente: traições, decepções e dificuldades, o cenário do país, os problemas familiriares, vão pesando sobre nós. De repente, o mundo já não é mais como antes. Essa é a razão de sentirmos que o natal era melhor na nossa infância, de que as famílias eram mais unidas; Porque víamos o que nos permitiam ver. O que acontece então é que ligamos isto à estes mesmos elementos.

Hoje, ao acender as luzes, ao montarmos a árvore, o fazemos em busca de ter este sentimento explorado ao máximo pelo mercado que anuncia em suas propagandas todos os adereços da felicidade, vendendo a ideia de que se você tiver todas estas coisas, mais perto estará de sentir a "Magia", infelizmente, logo percebemos que estas coisas nada significam em si, são apenas decoração; O peru não tem nada de especial, é só carne, a reunião não significa união e papai noel não existe.

O natal, enfim, é o simbolo da busca material para ter o que não podemos ter comprando e a comemoração daquilo que nunca existiu, tendo como sua grande figura representativa um homem velho que entrega coisas de graça e bebe coca-cola. Ou seja, nada disso tem sustentação, propósito, significado. Os sentimentos da magia, bondade, afeto, agora vagam por esta data como espectros esquecidos, nada significam ou querem dizer qualquer coisa. Mas este conceito estava fadado a acabar desde o início, porque esta é a consequência quando trocamos a causa pelo efeito.

Isso porque os sentimentos bons do natal vieram da verdadeira razão deste feriado: comemorar o nascimento do Deus cristão. Esta data, nascida no cristianismo por Cosntantino, celebra o dia em que José e Maria, um casal pobre da galileia recebeu a vinda de Jesus. Um Deus que desistiu de sua glória para viver o sofrimento humano e assim, ensinar como devíamos viver neste terra. Trocando o ódio pelo amor, oferecendo a bondade sem troca e tendo compaixão pela humanidade. No maior ato de amor já demonstrado, através de um sacrifício extremo, ele perdoou nosso egoísmo, narcisismo, soberba, ganância, inveja e nos entregou de graça a entrada no céu. Em nome dele, temos vida eterna e paz. E é em agradecimento á Ele que celebramos esta data e procuramos viver os mesmos atos de bondade, caridade e afeto e é por causa desta segurança e alegria nesta certeza que nos sentimento amados e protegidos. Ele é a causa que gera o efeito.

E é somente deste significado que pode surgir o verdadeiro natal: que é praticar e viver o amor. Quando assim o fazemos, construímos pontes, estabelecemos laços verdadeiros e nos sentimos gratos. E é somente isto que pode nos preencher e nos trazer paz. O natal não está nas fitas, no gorro vermelho, ele está dentro de nós. Ele pode existir todos os dias no coração daquele que decide viver pelo amor. As luzes, as árvores, enfim serão apenas adereços para este sentimento que já existe. Assim como quando crianças o mundo já brilhava mesmo sem nenhum pisca-pisca.



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