Olá, meus weblovers, como vão? Aproveitando esse tempinho maravilhoso? Eu não sei como é a cidade de vocês, mas aqui, estou mesmo pensando que o melhor transporte para sair de casa são aqueles barris do episódio do pica-pau. Eu não sou uma pessoa lá muito devota, mas estava quase pedindo a móises pra descer e dividir as águas pra mim, ou não chegaria em casa! Tá ok, sei que falar de tempo é coisa de gente velha, e como não quero revelar minha idade, vamos a web de hoje? E talvez, a história de hoje não seja uma boa escolha, pois, se já estamos sofrendo com esse nível de água, o que esta trama promete é uma torrente!
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| Autor(a): Airton Guites Ano: 2016 |
E sim, meus caros, isso quer dizer que me emocionei! (Não
sou de pedra, tá bom. Haha). Mas, também, como não poderia, em uma trama que
tinha por certo este mesmo objetivo? Contando-nos o drama de um pai que, ao ver
seu filho entre a vida e a morte, sacrifica-se em um ato repugnante para ele,
para pagar o preço altíssimo da cirurgia, ela já nos entrega um tema central
raro e extremamente comovente, mas ao criar personagens com um tom
incrivelmente visceral e verdadeiro, cujo os sentimentos e intenções são postas
ás claras a todo momento, e cada situação é representada com intensidade, ela
consegue mergulhar o leitor inteiramente no universo de seus dramas e
sofrimentos, fazendo impossível a ele permanecer indiferente. Um investimento
emocional extraordinário por parte do leitor, dificilmente encontrado em webs
atualmente.
Mas é aqui que esta web se torna um desafio. Pois,
ironicamente, é na mesma comoção e envolvimento que a faz destacar-se e ter
lugar junto ao leitor, que encontra-se seu grande problema, pois, para criar o
sentimentalismo e impacto emocional que ela se propunha, o autor apoiou-se exclusivamente
na reação de seus personagens aos acontecimentos, mas, não nos acontecimentos
em si. O que quero dizer é que, muitas vezes, o conflito não era de nenhuma
forma tão grande quanto tudo o fazia parecer.
Tiago precisava conseguir um dinheiro exorbitante para
salvar a vida de Abner, lembram? Mas descobrindo-se sem possibilidades de
alcançar tal quantia e vendo seu filho pequeno sofrer internado no hospital,
ele começa a perder as esperanças. Até que um dia, um homem estranho lhe
aborda, com uma proposta terrível: fazer um filme pornô. Sim, talvez você tenha deixado escapar um pequeno riso. Mas não se sinta culpado, pois foi desta
mesma forma que me senti. E isso acontece pela “quebra de tom”: o autor
desenvolve uma narrativa dramática e pesada, cheia de lágrimas e laudos
médicos, porém, logo parte para o ambiente histérico e exagerado de uma
filmagem de sexo em que, até travestis entram em cena. O que gera é um
contraste muito forte entre os dois tons criando um certo sentido ridículo nas cenas.
É como se eu criasse um conto de horror sobre um castelo amaldiçoado, mas que
se passasse no castelo Rá-Tim-Bum! Não ia dar né.
E isso piora quando descobrimos que toda a trama da novela girará
em torno disto! Quando Tiago passa a viver literalmente em pânico, temendo que
um dia descubram seu “terrífico" segredo. Mas precisamos mover o enredo,
não é mesmo? Anos se passam então, e chega o dia em que Abner encontra o filme.
E ele não poderia estar mais desgostoso. Sim, saber que seu pai representou
cenas sexuais diante de uma câmera pode ser chocante e vexatório, no entanto,
ao saber dos motivos pelas quais Tiago teve esta atitude, esperamos que o
filho, como qualquer ser humano racional, entenda. Mas é aí que está: se ele
compreender, todo o confronto acaba e ainda temos a metade da trama para
terminar. E aí, o que eu temia aconteceu. O autor faz com que Abner tenha uma
atitude extremamente adversa e radical. Ele chega a sair de casa e romper por
inteiro suas relações com o pai!
O problema é que, em nenhum momento nos foi dado qualquer
motivo psicológico para esta atitude. Abner fora amado pelos pais e sempre teve
uma admiração enorme pelo mesmo, tornando sua reação demasiada incompreensível,
o que somente se agrava, quando TODOS os outros personagens ao ficarem sabendo
do segredo de Tiago, entendem completa e rapidamente. Assim, o autor aposta em um
conflito que, para o leitor, poderia ser resolvido de maneira simples. A
sensação de enrolação é clara.
A fraqueza do conflito central é tão evidente que, não à toa,
o foco perde-se muitas vezes, ao dar protagonismo a Kelly, namorada de Abner, e
suas ações perversas. Nesse momento, o ritmo se quebra e já não sabemos o que
esperar da trama. A partir daí a única força motivadora para ler a narrativa passa
a ser acompanhar os personagens que conquistaram os corações do leitores, e não
exatamente saber o desenrolar do conflito central, que sem a gravidade necessária,
não desperta o interesse devido.
Ao final, temos agressões, choro, mortes, prisões, manicômio
e até suicídio, numa loja de dramaticidade em que, o escritor gasta todas as
suas fichas. Porém, não dá pra sair sem a impressão de algo forçado, pois, seus
conflitos eram vazios demais para sustentar tal desfecho e toda a emoção sentida
pelo público, proveio do enorme carisma de suas personas. Assim, querendo cair
na tragédia shakespeariana, ela acertou mesmo foi no “dramalhão a la band às três
da madruga”. Só resta dizer diante de tudo isso, que Gretchen e Alexandre Frota
vivem muito bem, obrigado.
A escrita é mais que excelente, o ritmo sustenta-se na maioria
das vezes, as personas prendem e encantam, sem falar de seu final de tirar
lágrimas, com uma mensagem de amor e esperança. E são nestas lágrimas, que acredito,
dar ao autor o que de fato ele buscava. Pois, para este intento, ele esticou a
trama, forçou reações histéricas e dramas inexistentes e todo o tipo de meio
que pudesse ter disponível. Bom, resta a ele saber se valeu a pena.
E aí, o que acharam? Não deixem de dizer nos comentários. E aguardem a próxima crítica, hein, "Lei da colheita", do site Web novelas channel. E a próxima pode ser uma web sugerida por você, é só deixar nos comentários qual história você quer que eu analise. Por hoje é só gente. Beijoo e bye bye!

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- Notas
1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2. Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.
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