David
retirou a mão de Rebeca de sobre seu rosto. Sua face tomou um tom mais sério.
Distanciou-se alguns passos.
- Eu
também tenho que te falar outra coisa...
O olhar
ainda atônito dela o encarou.
- Eu só
saí da cadeia, por que concordei em testemunhar no julgamento - O olhar
desviou-se.
A
expressão surpresa e esperançosa o respondeu. Viu-a chegar mais perto.
-
David... Eu sei que é difícil pra você testemunhar contra o seu pai... – Suas
mãos repousando leves sobre seu peito. Logo seguindo o rosto amoroso - Mas tem
que fazer a coisa certa!
- Eu não
posso! – Falou a voz, ainda incerta.
-
David... – Tentou tocá-lo, mas ele se desviou.
- Eu não
posso Rebeca! – Sentenciou firme.
Ela não
sabia que para ele, mais difícil do que testemunhar contra seu próprio pai
seria perdê-la. Não podia deixar que a machucassem.
Diante da
recusa, Rebeca viu-se agitada por um desespero:
- Então o
que vai fazer? Vai fugir novamente? – Encarou-o.
- Eu
preciso... – Ele abaixou o rosto para não encarar os olhos dela.
- O
Quê?... David, você... Não pode ir embora... – Ainda incrédula, os lábios
tremiam – Não pode me deixar aqui... David! – Suplicava.
- Entende
Rebeca, eu não mereço você! – Vociferou contrito. O olhar finalmente
encarando-a para logo em seguida recuar, covarde – Vai ser melhor assim...
- Eu não
preciso que você me proteja! Eu não sou essa garota frágil que você e meu pai pensam
que eu sou! – Disse com certa raiva misturada em aflição – Por favor, David...
–Tocou seu rosto de forma terna – Eu... Eu não posso ficar sem você – Uma
lágrima ameaçava cair – Eu te amo!
Ao ouvir
as palavras de Rebeca David estremeceu. Tornava-se mais cruel o que iria fazer.
Mas era preciso. Fechou os olhos quase como querendo parti-los. As mãos
suando.
- Eu
menti pra você! - Distanciou-se tornando-lhe as costas - Eu vou embora... Mas
não vou sozinho. – Após uma grande pausa – Pâmela vai comigo!
As palavras
de David pareceram dilacerar. Não podia acreditar. De repente, tudo o que
Pâmela tinha dito fez sentido. “Ele não gosta de você! Ele não conseguiu me
esquecer!”.
Rebeca
sentiu como se o chão estivesse se abrindo.
- Você
disse que eu podia confiar em você! – A voz quase não saiu ainda petrificada.
Cresceu junto a raiva que a invadiu – Que nunca mentiria pra mim!
- Sinto
muito! – Disse. No tom mais frio que conseguiu. O rosto contristado em uma
forma rígida.
Rebeca
permitiu que a lágrima se rompesse. Olhou-o ainda.
- ... Eu
não quero te ver nunca mais!
Após a
porta se fechar, David desabou sobre o sofá. Levando as mãos à cabeça respirava
com dificuldade. O coração explodindo, quase encerrando a garganta.
Rebeca
andava sem rumo. Já não via. Tudo se tornara embaçado pela dor que a machucava.
Não sabia se deveria voltar para casa, encarar o rosto sério de seu pai lhe
dizendo que estava certo, seria a pior coisa naquele momento. Encostou-se a uma
árvore no parque. Deparou-se então, com a mesma árvore. Se perguntava o porquê.
Porque as cartas tinham ido para David. Talvez, se elas tivessem ido para Pedro
não sentiria o que estava sentindo.
Sentiu
alguém chegar. Surpreendeu-se ao deparar-se com Pedro.
- Rebeca?
O que está fazendo aqui desse jeito? – Reparou nos olhos vermelhos da garota.
- Nada! –
Ela tentou desviar-se dele.
- Espera
Rebeca! Fala comigo! – Ele pegou no braço dela calmamente.
Rebeca
estava muito fraca para rejeitar qualquer ombro amigo. Aceitou, então,
conversar com ele. Sentaram-se em um banco próximo.
- Eu sei
que eu sou a última pessoa que queria ver no mundo – Ele falou compreensivo.
- Bem...
Talvez não a última – Forçou um sorriso nervoso. De repente sentiu-se romper em
lágrimas.
- Me
conta o que aconteceu! – Ele pediu olhando-a.
- David. –
Confessou cabisbaixa. Ainda em prantos.
Não
precisou dizer mais. Pedro há tempos desconfiara da relação dos dois. E ao
ouvi-la pôde perceber que a mesma acabara.
Pedro,
então, sentiu renascer a esperança de conquistá-la novamente.
A porta
da casa de David se abriu lentamente. Era seu pai. Sérgio Martins.
- Então é
aqui que você mora! – O comentou ao entrar olhando para o apartamento humilde
com certo desdenho.
- O que
está fazendo aqui? – David levantou-se bruscamente encarando-o.
- Vim
falar com você... – O senhor olhou-o com autoridade.
- Não
tenho nada pra falar com você!
- Eu
quero saber se é verdade que você fez um acordo com Paulo pra que ele te
tirasse da cadeia...
- Sim...
– David respondeu finalmente. Encarou-o. A raiva aparecendo por todo seu
corpo.
-
Então... – A surpresa de seu pai mostrou-se na rigidez de suas feições.
- Sim, eu
sou a única testemunha do seu crime sujo! – David cerrou os pulsos.
Sérgio
desesperou-se. Temia que seu filho contasse a verdade ao tribunal.
- Mas não
se preocupe – David continuou – Eu não vou contar nada!... Já vieram trazer o
seu recado! – Atravessou o recinto em direção a porta.
Sérgio
não entendeu a afirmação de David. Pois não sabia que Bruno, capanga de seu
sócio Carlos, havia ameaçado seu filho.
-
Filho... Eu vim lhe propor algo... – Seu pai disse sério.
David
apenas olhou-o friamente.
- Vim
pedir que aceite testemunhar ao meu favor no julgamento!

Adorei o capitulo!!!
ReplyDeletecontinua...
bjs
Oi querida! Vim agradecer oc arinho e dizer que estou seguindo também. Vou voltar com mais tempo pra ficar em dia com a web novela. Tenha um dia abençoado, beijos!
ReplyDeleteBlog Paisagem de Janela
paisagemdejanela.blogspot.com.br
Nossa que triste pros dois...
ReplyDeleteTo amando amiga continua!!!
beijos
Não acredito! Quase chorei aqui flor :(
ReplyDeleteamiga vim avisar que eu vou entrar de ferias essa semana por isso nao vou estar acompanhando... Mas qnd eu voltoar pode dexa que eu venho pra ler*_*
Feliz ano novo... bjs
Adorei e estou ansiosa pelos próximos capítulos... seguindo aqui! Te convido a me conhecer tbm... www.uaiquecharme.com
ReplyDeleteBjs!
QUASE CHOREI... DECA SEPARADOS É UMA DOR SEM TAMANHO
ReplyDelete