Weblovers, tudo bem com vocês? Glamourosos com sempre? É, o verão chegou com tudo: e com ele, a prainha, o pé na areia, a água de coco e claro, as discussões no facebook! Ah, saudades de quando o face era uma mídia social, agora, é o centro de compartilhamento das tias; reclamações sobre o tempo, receitas de bolo, dicas de crochê... só falta um emoji de xícara de café pra elas reagirem às postagens. Mas, longe de ser um hate à melhor idade, a história de hoje veio para mostrar que nunca é tarde para ser glamourosa!
Autor(a): Failon Teixeira Ano: 2021 |
Malu é uma atriz renomada, mas que há tempos perdeu sua fama e vive das recordações de sua “era de ouro”, até que um dia, Rita, uma velha inimiga reaparece para assombrá-la, pois, aparentemente, sua saída das telas esconde um terrível segredo.
E, infelizmente, devo dizer, essa sinopse, feita por mim, é mais interessante do que TUDO O QUE ACONTECE NESSA HISTÓRIA! Pois, não minto ao afirmar que nada mais ocorre nesta obra! É abismante constatar que durante inteiros dez capítulos esta narrativa não foi capaz de fazer qualquer coisa com o enredo!
Mas, o pior não está nisso, mas no final, com a afirmação da protagonista:
MALU: Ah, quem diria que você estaria novamente no pódio, Malu? É, parece que eu consegui. O jogo virou para todos aqueles que pensavam que eu sou fracassada. Só digo uma coisa para eles: Eu voltei pra brilhar!!
Eu já li textos inócuos antes; “Linha da vida”, por exemplo, estava mais para a linha do monitor quando aponta a morte do paciente de tão morto que era seu enredo, no qual absolutamente NADA acontece; um peido, soltado por uma formiga, dentro de uma tampinha de suco, tinha mais relevância que qualquer coisa naquela história, ou como a inútil “holofotes”, por coincidência com a mesma temática, mas em nenhuma delas, houve a pretensão ou o delírio ao qual esta chegou nesta fala da personagem, pois isso mostra claramente que o autor construiu a história como a jornada de uma mulher em busca da fama, o problema é que isso nunca acontece.
Vejamos, o que Malu fez para voltar á fama e que justificaria essa fala? Além de matar Rita, nada. E muitos podem argumentar que, de fato Rita era um impedimento, por ser a única portadora do segredo que a mantinha longe da profissão, no entanto, ela passou anos pagando a mulher para se calar, assim, se o impedimento ainda permanecia com o silêncio da outra, o que mudaria com sua morte? Resposta: nada.
Mas de repente, no final, todo o conflito central é resolvido sem explicações e desaparece como se nunca tivesse existido. E Malu não tem qualquer papel nisso. Ela nunca age de forma a conseguir qualquer coisa ou tendo um objetivo em vista. Quando seu namorado volta á cidade, ela decide que quer mesmo ele de volta e tenta matar sua namorada, mas, após isso desiste e não volta a tocar no assunto até que Rita ameaça sua filha e ela resolve matá-la. No fim, ela só volta a atuar porque seu ex-namorado a convida para estrelar seu filme, mesmo depois dela invadir seu quarto e ficar pelada em sua cama, mas isso é para o psicólogo dele explicar, não nós.
E se não bastasse o tema principal não levar a nada, a obra nos presenteia com várias subtramas que também não chegam a lugar nenhum: Temos Agenor que, não aprova o namoro do filho com a garota rica, não sabemos o porquê, afinal, o texto não se dá ao trabalho de explicar, no entanto, antes mesmo de ele pensar em fazer isso, o problema é solucionado: Agenor percebe seu comportamento grosseiro e muda, como se tivessem jogado pó de pirim pim pim no suco dele!
Bebel e Jonas tentam criar a temática do amor não correspondido, mas durante os capítulos não vemos qualquer crescimento na relação dos dois, até que no final Bebel está completamente apaixonada por ele. Ela só escolheu dizer isso quando ele estava indo embora, pra ajudar no suspense, é claro! Ai, que emoção.
A personalidade os personagens é rasa e nunca deixa claro suas intenções. Qual o papel de Jarbas, por exemplo? Em nenhum momento ele estabelece qualquer função na história; O escritor também não acerta o tom da protagonista, lhe emprestando tons maléficos com sua relação com a mãe, ao passo que querendo a transformá-la em mocinha em seu drama de artista injustiçada. E, assim come eles, todos os outros não possuem traços de personalidade ou qualquer carisma.
Ou seja, nada leva a nada nesta trama, nenhum drama ou persona; na verdade, o pequeno resumo dado antes de cada capítulo tem mais acontecimentos do que toda as páginas juntas! Ao fim, uma web que promete, mas nunca cumpre.
Todavia, serei justa, talvez o escritor não tivesse se expressado bem na sinopse, eis aqui então a minha, muito mais acurada: ao invés da saga da mocinha injustiçada que vence no final, “A história da mulher que mata para não ser acusada de assassinato.”.

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Notas
1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2. Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.
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